Ramaphosa condena a xenofobia e admite fragilidades na protecção dos migrantes na África do Sul – O País
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, condenou, este domingo, os actos de xenofobia que têm marcados como últimas semanas naquele país e identificou fragilidades na gestão da imigração, numa altura em que vários cidadãos estrangeiros, incluindo moçambicanos, enfrentam ameaças e ataques.
Num discurso transmitido pela televisão nacional, Ramaphosa apelou à união e rejeitou campanhas que alimentassem sentimentos anti-imigração.
“Não nos deixaremos enganar nem influenciar por campanhas nas redes sociais que espalham desinformação, notícias falsas e mentiras sobre pessoas que estão no nosso país”, afirmou.
O pronunciamento surge num contexto de crescente tensão social, com grupos anti-imigração a acusarem estrangeiros em situação irregular de contribuiçãorem para o emprego e para a sobrecarga dos serviços públicos. O chefe do Estado sul-africano rejeitou esta narrativa, defendendo que os problemas económicos do país têm causas mais profundas.
Ramaphosa admitiu, contudo, que existem falhas na forma como o Estado tem gerido os fluxos migratórios e garantiu que o Governo reforçará as acções de controlo fronteiriço e deportação de cidadãos sem documentos legais.
Apesar disso, adverte que nenhuma pessoa ou grupo tem autoridade para actuar à margem da lei, sublinhando que apenas as instituições competentes podem intervir em casos de imigração ilegal.
A situação preocupa especialmente Moçambique. Recentemente, o Governo moçambicano denunciou a morte de nove cidadãos nacionais em alegados ataques xenófobos registados na África do Sul.
Entretanto, vários países africanos conseguiram retirar os seus cidadãos do território sul-africano. O Gana já repatriou cerca de 300 cidadãos, enquanto a Nigéria e o Malawi anunciaram medidas semelhantes.




