O Ministério da Defesa de Israel anunciou esta terça-feira ter obtido o aval dos Estados Unidos para bombardear o subúrbio ao sul de Beirute, bastião do Hezbollah, se for atacado pelo grupo libanês pró-iraniano.
Num comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa, Israel Katz explicou que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, juntamente com o exército, definiram um princípio de reciprocidade relativamente ao Sul de Beirute e ao Norte de Israel.
“Se as localidades israelenses [do Norte] continuaremos a ser atacados, retiraremos a população e bombardearemos o bairro xiita de Dahiyeh em Beirute, bastião do Hezbollah”, declarou o ministro da defesa israelense, Israel Katz.
Dahiyeh é a designação do subúrbio Sul de Beirute, conhecida por ser o principal bastião político, social e militar do Hezbollah, abrigando muitas das instalações e líderes do grupo.
“Os Estados Unidos validaram este princípio e comunicaram-no ao Governo libanês, bem como a todas as partes envolvidas”, disse Katz, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
“Ou os disparos contra as localidades [no Norte de Israel] cessam ou, se continuarem, bombardearemos Dahiyeh em Beirute”, acrescentou o ministro.
O comunicado foi divulgado depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado na segunda-feira que tinha conseguido uma trégua no Líbano e que Israel não atacaria Beirute.
No entanto, os meios de comunicação libaneses noticiaram a morte de oito pessoas num novo ataque israelita realizado esta terça-feira no Sul do Líbano, enquanto os projectos do Hezbollah continuavam a visar alvos israelitas.
Na segunda-feira, Israel ameaçou bombardear os subúrbios do Sul de Beirute, gerando pânico na capital libanesa e levando milhares de pessoas a fugir para zonas mais seguras.
Os confrontos ocorreram quando estão agendados para ontem e hoje (quarta-feira), em Washington, uma segunda rodada de conversas entre Israel e o Líbano.
Os negociadores libaneses pretendem obter um cessar-fogo total para evitar futuros ataques, de acordo com a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).
As negociações, iniciadas em Abril na capital norte-americana, revelam os primeiros contactos em mais de três décadas entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas formais.
Os combates representam um grande obstáculo ao acordo emergente para prolongar o cessar-fogo na guerra com o Irão, uma vez que Teerão exige que qualquer acordo inclua a cessação total das hostilidades no Líbano.
O Hezbollah tem rejeitado negociações diretas, dependendo da pressão exercida por Irão.
A última vaga de confrontos entre Israel e o Hezbollah já provocou mais de 3.400 mortos no Líbano e forçou a deslocação de mais de um milhão de pessoas, de acordo com as autoridades de Beirute.
Pelo menos 27 militares e um prestador de serviços de defesa de Israel morreram no Sul do Líbano ou nas proximidades, registando-se ainda a morte de dois civis no Norte de Israel.
As forças israelenses informaram ao final do dia de segunda-feira que um soldado morreu no Sul do Líbano e sete ficaram feridos no mesmo incidente, três dos quais em estado grave.
A utilização por parte do Hezbollah de drones de fibra óptica, difícil de detectar, tem-se revelado mortífero para os militares israelenses, que enfrenta dificuldades para responder a esta ameaça, acrescentou a AP.




