Um spray paralisante foi acionado no interior de uma sala de aula, provocando intoxicação em 11 estudantes, que foram transportados para uma unidade sanitária. O facto ocorreu na Escola Comunitária Santa Montana, em Marracuene, Província de Maputo.
Tosse intensas dificuldades respiratórias, tonturas e desmaios levaram professores e funcionários a interromper as atividades para socorrer os estudantes afetados, após intoxicação quando os alunos entravam nas salas de aula.
Uma das vítimas contou que nem sequer esteve dentro da sala onde o spray foi acionado. Preparei uma apresentação de inglês no corredor quando comecei a sentir os primeiros sintomas.
“Vi um colega cair e começar a espumar pela boca. Depois comecei a tossir, senti a garganta a arder, muitas tonturas e acabei por cair. Já não consigo respirar nem andar. No hospital, disseram que o meu estado era mais crítico e tive de receber soro”, relatou.
Outro estudante comentou que, inicialmente, pensou tratar-se de um perfume.
“Vimos um colega com uma coisa preta na mão, mas não demos importância. Pouco depois começámos a ver colegas a sair da sala a correr e a tossir. O meu nariz e a garganta encontraram a picar e fui levado ao hospital”, contornou.
Segundo a direcção da Escola Comunitária Santa Montana, o incidente ocorreu logo após a concentração matinal. As investigações internacionais apontam que três alunas terão pedido a um colega que acionasse o spray no interior da sala de aula.
“O aluno dirigiu-se à sala e acionou o spray. Quando os estudantes entraram, tiveram a apresentação de reações à substância. De imediato, levamos-los ao hospital para receber assistência médica”, explicou o diretor da escola.
Os quatro projetos apontados como envolvidos foram encaminhados para a Esquadra da Polícia da República de Moçambique em Marracuene, onde o caso continua a ser tratado pelas autoridades.
A direção da escola afirma que ainda não tomou qualquer decisão disciplinar contra os alunos envolvidos. A definição das medidas dependerá de uma reunião do Conselho da Escola, que deverá analisar o caso nos próximos dias.
Os encarregados de educação dos estudantes identificados como promotores do incidente foram convocados pela direcção para prestar esclarecimentos. A equipe de reportagem tentou-los, mas estas recusaram prestar declarações.
O diretor destacou ainda que a instituição enfrentou desafios relacionados com a indisciplina entre alguns estudantes, incluindo casos de consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, situações que, segundo afirma, foram alvo de processos disciplinares e sucessivos apelos à comunidade escolar.
Apesar do susto, todos os 11 alunos afectados receberam alta hospitalar e já regressaram às aulas. Enquanto a rotina volta gradualmente à normalidade na Escola Comunitária Santa Montana, permanece em aberto as conclusões das investigações e as avaliações que poderão ser aplicadas aos estudantes apontados como responsáveis pelo incidente.



